Trabalho a Quente: o que é, riscos e exigências da NR-34
Por:
Time de Marketing
15 de janeiro de 2026
O trabalho a quente é uma das atividades mais críticas na indústria e exige controle rigoroso segundo a NR-34. Atividades como soldagem, corte e esmerilhamento só podem ser realizadas com Permissão de Trabalho (PT), APR e medidas preventivas bem definidas.
Para garantir a integridade dos colaboradores e do patrimônio, o cumprimento da NR-34 é indispensável.
Neste artigo, reunimos tudo o que você precisa saber para realizar essas atividades com segurança e conformidade.
O que é Trabalho a Quente, segundo a NR-34?
De acordo com a NR-34 (item 34.5), considera-se trabalho a quente qualquer atividade de soldagem, goivagem, esmerilhamento, corte ou outras operações que possam gerar fontes de ignição, tais como aquecimento, centelha ou chama.
Em termos práticos, se a ferramenta ou o processo libera calor suficiente para iniciar uma combustão ou gera faíscas volantes, a atividade é classificada como trabalho a quente e exige uma Permissão de Trabalho (PT) específica.
Exemplos de Trabalho a Quente na Indústria
Embora a soldagem seja o exemplo mais clássico, diversas atividades rotineiras de manutenção se enquadram nesta categoria. Os principais exemplos incluem:
Soldagem: Processos de união de peças.
Corte a Quente (Oxicorte): Uso de maçaricos e gases combustíveis para corte de metais.
Esmerilhamento: Uso de lixadeiras e esmerilhadeiras angulares que projetam partículas incandescentes a longas distâncias.
Goivagem: Remoção de metal utilizando arco elétrico e ar comprimido.
Brasagem: União de metais utilizando calor e metal de adição, muito comum em tubulações de cobre.
Tratamento Térmico: Aplicação localizada de calor para alívio de tensões em soldas.
Quais são os riscos do Trabalho a Quente
Os riscos do trabalho a quente vão muito além do fogo visível. A análise de risco deve contemplar:
Incêndio e Explosão:
O risco mais crítico. Ocorre quando fagulhas ou escória quente entram em contato com materiais combustíveis, gases inflamáveis ou resíduos de óleo/graxa nas proximidades.
Queimaduras Físicas:
Lesões na pele causadas pelo contato direto com a peça aquecida, respingos de metal fundido ou radiação térmica.
Gases tóxicos:
A inalação de vapores tóxicos provenientes da fusão do metal e do revestimento do eletrodo pode causar doenças respiratórias graves a longo prazo.
Radiação Não Ionizante:
A exposição aos raios ultravioleta (UV) e infravermelho (IV) gerados pelo arco elétrico pode causar lesões oculares (como a "queimadura do soldador") e na pele.
Medidas de Segurança e Controle exigidas pela NR-34
Para mitigar os riscos citados, a NR-34 estabelece uma hierarquia de controles rigorosa. As principais medidas obrigatórias são:
1. Inspeção Preliminar e Limpeza (Item 34.5.2)
Antes de iniciar, a área deve ser inspecionada. É obrigatório remover todos os materiais combustíveis e inflamáveis do entorno. Caso não seja possível a remoção, eles devem ser protegidos com mantas ignífugas.
2. Proteção Contra Incêndio (Item 34.5.3)
O empregador deve instalar proteção física (como biombos ou mantas ignífugas) para evitar que fagulhas, respingos ou calor atinjam materiais combustíveis.
A norma exige (Item 34.5.3.1.d) a inspeção do local ao término do trabalho para evitar reignição ou princípio de incêndio tardio.
3. Controle de Fumos e Contaminantes (Item 34.5.4)
A inalação de fumaça é um risco grave. A norma exige:limpeza da superfície antes da solda (remover óleo/graxa); Renovação de ar (exaustão/ventilação) para eliminar gases e vapores. E, se o revestimento da peça for desconhecido, o uso de proteção respiratória é obrigatório (Item 34.5.4.3).
4. Segurança com Gases e Cilindros (Item 34.5.5)
Este é um ponto crítico onde ocorrem muitos acidentes. As regras são claras:
Válvula corta-fogo: Obrigatória na alimentação da mangueira e do maçarico em equipamentos oxiacetileno (Item 34.5.5.3).
Proibido em espaço confinado: Jamais instale cilindros de gás dentro de espaços confinados (Item 34.5.5.7).
Armazenamento: Cilindros sempre na posição vertical, fixados e longe de chamas.
Término do serviço: As mangueiras devem ser desconectadas e os cilindros fechados.
Observador de Trabalho a Quente: quando é obrigatório?
Um ponto fundamental da NR-34 (Item 34.5.10) é a figura do Observador. Quando definido na APR, este profissional deve permanecer no local em contato permanente com a frente de trabalho, focado exclusivamente na prevenção e combate a princípios de incêndio.
APR e Permissão de Trabalho (PT) para Trabalho a Quente
Para formalizar a segurança, dois documentos são indispensáveis segundo os itens 34.5.7 e 34.5.8:
APR (Análise Preliminar de Risco):
Define as medidas de controle, o raio de isolamento e a necessidade do observador.
PT (Permissão de Trabalho):
O resultado da inspeção preliminar deve ser registrado na PT antes do início das atividades. Sem PT assinada, o trabalho não começa.
Normas Regulamentadoras (NRs) Relacionadas ao Trabalho a Quente
Embora a NR-34 seja a referência técnica mais detalhada sobre o tema, outras normas também se aplicam dependendo do cenário:
NR-18 (Construção Civil):
Possui capítulo específico sobre operações de soldagem e corte a quente em canteiros de obras.
NR-33 (Espaços Confinados):
Essencial quando o trabalho a quente é realizado no interior de tanques, silos ou tubulações.
NR-35 (Trabalho em Altura):
Frequentemente, soldas e cortes são realizados em altura, exigindo a integração das medidas de prevenção de queda com a proteção contra incêndio (uso de mantas para evitar que fagulhas caiam em níveis inferiores).
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