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Entenda a transição da FISPQ para a FDS (Ficha com Dados de Segurança), as exigências da nova ABNT NBR 14725 e como elaborar e gerenciar esse documento online.
Por:
Vitória Willemann
O manuseio de produtos químicos na indústria sempre exigiu um controle rigoroso de informações para prevenir acidentes, intoxicações e desastres ambientais. Durante anos, o documento padrão para isso no Brasil foi a FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos).
Com a publicação da nova ABNT NBR 14725, o Brasil alinhou definitivamente suas diretrizes ao Sistema Globalmente Harmonizado (GHS). A partir dessa atualização, a antiga FISPQ passou a se chamar FDS (Ficha com Dados de Segurança). O período de transição de 24 meses já se encerrou em 2025, o que significa que o novo formato já é a exigência oficial vigente.
Neste artigo, explicamos as diferenças práticas entre FDS e FISPQ, o que muda na rotina de segurança e como estruturar a gestão desses documentos para que fiquem acessíveis a qualquer momento na frente de serviço.
O que é a FDS e por que a FISPQ mudou?
A FDS é um documento obrigatório que acompanha qualquer produto químico classificado como perigoso. Ela fornece instruções detalhadas sobre os riscos do produto, as formas seguras de manuseio, armazenagem, transporte e as medidas de emergência em caso de acidentes ou vazamentos.
A transição de FISPQ para FDS ocorreu para adequar o Brasil à 7ª revisão do GHS (Globally Harmonized System) da ONU. O objetivo foi criar uma linguagem única global. Assim, um produto químico fabricado no Brasil, na Europa ou na Ásia terá uma ficha de segurança com a mesma estrutura e os mesmos critérios de classificação de perigo, facilitando a leitura e evitando erros de interpretação.
Principais diferenças entre a FDS e a antiga FISPQ
Embora a essência do documento continue a mesma — proteger o trabalhador e o meio ambiente —, a atualização trouxe mudanças importantes além da nomenclatura. Veja o que mudou na prática:
Critério | Antiga FISPQ (Antes da NBR 14725:2023) | Nova FDS (Atual) |
Nomenclatura | Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos | Ficha com Dados de Segurança |
Referência GHS | Baseada em versões anteriores do GHS (ONU). | Alinhada à 7ª edição revisada do GHS. |
Classificação de Perigos | Critérios menos abrangentes para novas classes. | Inclusão de novas classes de perigo e novos limites de corte. |
Telefone de Emergência | Não havia exigência estrita de disponibilidade contínua. | Exigência de um número de emergência disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana (Seção 1). |
Como elaborar FDS e atender à nova norma
Tanto elaborar FISPQ no passado quanto elaborar FDS hoje exige conhecimento técnico aprofundado em química, toxicologia e legislação ambiental. O documento não pode ser preenchido como um formulário genérico; ele deve refletir com precisão a composição e os riscos da substância ou mistura específica.
A estrutura obrigatória da FDS mantém a divisão em 16 seções padronizadas internacionalmente. As principais são:
Identificação: Nome do produto, dados do fabricante e telefone de emergência 24h.
Identificação de perigos: Pictogramas do GHS, palavras de advertência e frases de perigo.
Composição e informações sobre os ingredientes: Identidade química e concentração.
Medidas de primeiros-socorros: O que fazer (e o que não fazer) em caso de inalação, contato com a pele, olhos ou ingestão.
Medidas de combate a incêndio: Agentes extintores adequados e contraindicados.
Controle de exposição e proteção individual (EPI): Detalhamento dos EPIs obrigatórios (tipo de luva, filtro do respirador, etc.).
A importância de ter a FDS online e acessível na operação
Não adianta elaborar FDS com excelência técnica se o documento ficar trancado na gaveta do setor de Segurança do Trabalho ou perdido em uma pasta de rede corporativa.
A legislação exige que os trabalhadores tenham acesso imediato e facilitado a essas informações no local exato onde manuseiam o produto químico. Diante da dificuldade de manter pastas físicas atualizadas no chão de fábrica (que rasgam, sujam ou ficam defasadas), a migração para uma FDS online tornou-se a prática mais segura e eficiente na indústria moderna.
Ao digitalizar esse processo, o operador pode consultar os riscos e os EPIs necessários através de um tablet ou smartphone, garantindo que a informação consumida é a versão mais recente aprovada pela engenharia.
Gestão inteligente com checklists digitais
A disponibilidade da FDS deve estar conectada à rotina de inspeção. Quando a equipe de SSMA realiza auditorias de campo, é fundamental verificar se os produtos químicos armazenados correspondem às fichas de segurança ativas no sistema e se os colaboradores estão utilizando os EPIs descritos na seção 8 do documento.
Para eliminar o papel, evitar multas em fiscalizações e garantir que os processos de segurança química sejam cumpridos à risca, a tecnologia é sua principal aliada.
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